Não quero te perder, mas não te quero só de corpo. Te quero de alma e coração. Por todos meus sacrifícios, por todos meus esforços, por todas minhas noites acordada por ti, por todas minhas tentativas de te acalmar quando ninguém mais se importou, por todo meu carinho, eu digo bem convicto e pausadamente: eu m e r e ç o você.
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eu me olho tentando deixar que o perdão limpe as minhas feridas.quando você se estica pra caber no mundo, a membrana fina que te cobre e te livra de certas dores acaba se desgastando e então você passa a sentir tudo de forma mais intensa
e aguda
como um corte
eu te perguntei se existia remédio para isso, rodka. você me disse que o único jeito de sobreviver era se expondo
ainda que todo o ato de se entregar fosse fatal no fim das contas
porque, é claro, todos morremos
e é engraçado como se perceber temporário entristece certas pessoas
eu te perguntei se existia remédio para isso, rodka. você me disse que consciências se perdem e que a única verdade é a transformação.eu ri. soava filosófico demais pra mim. eu não escreveria 14 livros num código estranho pra tentar entender por que existimos, mas era fantástico que alguém estivesse tentando encontrar um remédio pra isso
isso: se desdobrar numa linha aleatória de acontecimentos tentando não enlouquecer e ainda sim sentir - milhões de vezes sentir
capaz de nunca existir nenhum remédio pra vida, eu te disse
mas existia, sempre existiu
ninguém gosta de admitir que é o amor.eu me olho tentando deixar que o perdão limpe as minhas feridas.
e decido se vou ser meu próprio antibiótico
é cruel esticar a membrana fina de outra pessoa depositando nela a obrigação de salvar-nos
existe remédio para o egoísmo, rodka?
existe?
Eu quero ser feliz sem fazer todo esforço do mundo pra sentir uma pontinha de orgulho por estar aqui. Quero caminhar sem sentir um elefante embriagado se apoiando em minhas costas. Quero ser feliz sem querer ser.
escuta o silêncio do meu peito: é maior do que os panelaços pela cidade. quando você foi embora e eu cortei o cordão umbilical, ninguém ousou me abraçar. eu estava sangrando debaixo de uma verdade incontestável da solidão a qualquer custo. você ainda é o maior dentre TODAS as minhas renúncias e meu coração ainda é, em sua mais densa e pura conexão, seu. você voltou pra casa e eu jantei incertezas com a fome de quem se entrega mas não tem o que comer. escuta o silêncio do meu peito: hoje ninguém dorme aqui.
É. Eu deixei você ir.
Estava cansada de segurar o teu mundo e deixar o meu cair, estava cansada de resolver seus problemas e deixar os meus sem solução. Estava cansada de sofrer por você. Estava cansada de enxugar suas lágrimas e deixar as minhas secarem. Estava cansada de tudo, menos de você.
Perguntaram pra mim: “Por que eu não tenho namorado? Algo em mim repele os homens? Sou uma mulher embargada? Há uma placa de ‘proibido estacionar’ em minhas costas? Me diga!”. Olha, eu não sei por que não tem namorado. Honestamente. Poxa, come batata frita, torta de limão, churrasco e trufa de leite condensado. Ok, a alcunha de magricela, cabo de vassoura ou Olívia Palito nunca lhe serviram, talvez. Urros sobre sua suposta suculência não têm advindo de prédios em construção, quiçá. Quem sabe não fica bem de “tomara-que-caia”, tropica no salto agulha, não combina numa minissaia. Mas desbanca a miss Venezuela num vestido primaveril, pisando numa rasteirinha prateada, com o cabelo preso naquele lápis cor-de-rosa, soprando a franja pra cima no calor. Não vai me acreditar, mas tu é bonita. Tu passa longe de uma Fernanda Young, uma Lya Luft, uma Sandra Werneck. Mas tu é inteligente à sua maneira. Assiste novela, mas não comenta a vida dos personagens. Gosta da Clarice, da Cecília, da Martha. Curte o Tom, a Adriana, o Nando, a Zizi, o Cazuza. Trabalha, suspira, trabalha, checa as unhas, trabalha, sonha, trabalha, belisca uma água-e-sal, trabalha e um colega te olha. E te acha bonita idem. E também se intriga com tua solteirice. Tem princípios iguais os da mãe. Mas se acha careta, às vezes. Não cede, mesmo só. Adora sexo, embora não faça com a mesma frequência do desejo. Se faz não vibra na mesma frequência que o parceiro. Sente raiva por ser secretamente boba, romântica e demodê. Se derrete mais rápido que o sorvete napolitano na xícara de sopão quando a mocinha diz “você me fez acordar com um sorrisão no meu rosto”. Chora na frente de ninguém, ai de ti se mais alguém souber. E você não vê a hora de um príncipe encantado por ti libertar esse riso largo atrofiado, mas sabidamente bonito. Tem suas esquisitices. Dorme de edredon e ventilador. Coleciona esmaltes. Cerra as pernas quando sentada e fica coçando o joelho com uma das mãos enquanto a outra segura a cabeça pelo queixo. Ensaia dança do ventre pro espelho do banheiro. Faz duas vezes antes de pensar e tem uns “nhe-nhe-nhê” de mulherzinha. Mas qual não tem? É até bem charmoso. Nada tão relevante quanto sua forma meiga e carinhosa de perguntar “tu tá bem?”. Nada mais importante que teu ímpeto de cuidar dos outros. Nada que mude minha convicção de que tu é bonita. O que te falta? Falta tu mesma se convencer do que te falo com certeza. Tu merece alguém que abra os olhos diariamente e pense: “cara, eu tô com ela, eu sou o namorado dela!”. Que goste da tua boca, do teu ombro, do teu cabelo bagunçado, do teu calcanhar, da tua cintura, das tuas mãos, do cheiro da tua pele, das sardas do teu rosto. E isso vai acontecer naturalmente ao você se dar conta de que tu é bonita, no âmago e na lata. Eu acho, teu ginecologista também, o colega de trabalho assina embaixo. Um dia serás o amor da vida de alguém, do jeitinho que tu é. Falta tu. Acorde hoje e repita: “eu sou bonita”.
Enquanto ela dormia eu a observava, eu velava seu sono, eu cuidava dela. Seu semblante tão calmo, tão sereno, tão entregue ao sono, parecia um anjo. Seus longos cabelos espalhados no meu travesseiro, seus lábios carnudos, uma de suas mãos delicadas apoiada embaixo do seu rosto, seu corpo encolhido como quem tem frio, mas não, esse é seu jeito de dormir, parecendo uma menina… a minha menina. Ela usa minhas meias, ela usa minhas camisas, eu não me importo, é tudo dela mesmo, assim como eu mesmo.
Eu me descontrolo quando começo a falar de você, meu assunto favorito. Um dia eu vou te deitar no meu colo e ficar o dia inteiro falando de tudo o que eu gosto em você, se prepare. Eu sempre vou repetir que os meus textos nunca expressarão ou dirão realmente o que eu quero falar. É algo muito sentido, e eu sempre me enrolo quando começo a falar de você. Você abala as minhas emoções, colore o mundo e me faz por aquele sorriso de idiota. Me acalma tão rapidamente só por estar perto, como me excita também apenas por uma briga a toa. Quero ver você com uma camisa minha quando acordar, quero seu cheiro nos lençóis, quero você todos os dias na minha vida. Você é a minha melhor realidade.
Eu não sou legal, não mesmo. Acho que sempre tenho razão e quando minhas previsões dão certo olho com a cara mais abominável do mundo, dou um sorriso irônico e falo o clássico eu-te-avisei. É que, em geral, eu tenho razão. Essa é a primeira –e mais importante – coisa que você precisa aprender a meu respeito. (…) Não sei receber elogios, fico sem saber o que fazer, me atrapalho e acabo trocando de assunto – quando não troco as pernas e tropeço em algum canto de mim. Sorrio para disfarçar desconfortos. Se eu não gosto de você é bem provável que você tenha medo do meu olhar. E eu posso simplesmente não gostar de você de graça. Se eu gostar de você aviso de antemão que você é uma pessoa de sorte. Eu me entrego. Quem vive comigo sabe. Quem convive comigo sente. Eu amo poucos. Mas esses poucos, pode apostar, amo muito.
Se eu perdoaria uma traição? Claro! Meu coração é nobre e sempre há perdão nele. Eu diria: “Amor, eu te perdoo”. Depois juntaria minhas coisas e nunca mais apareceria, mas eu perdoei, tá? Acho que não existe nada pior do que uma traição. Se dedicar, se entregar, amar a alguém e esse alguém te trair. “A carne é fraca”, justifica. A carne é fraca, mas eu sou forte e não mereço alguém assim do meu lado. Tudo bem que há os modernos que vivem em relacionamentos abertos. Se eu acredito em relacionamento aberto? Acredito! Relacionamento aberto, aberto ao fracasso, aberto ao fim, aberto a mágoa, aberto a toda falta de reciprocidade e dignidade sentimental que se possa imaginar. Afinal, o que é mesmo amar? É escolher uma pessoa entre milhões de especies disponíveis no mundo e elegê-la ao cargo máximo de estar única e exclusivamente ao seu lado. Se é pra ficar comigo e com mais todo mundo que aparecer na reta, eu prefiro ficar só! Em uma traição não importam os motivos de quem traiu, mas a dor de quem foi traído. Se traiu porque sentiu-se atraído, sinto muito, mas eu não sabia que estava namorando um imã que atrai tudo e todos, portanto, controle-se! Se traiu porque passou a gostar de outra pessoa, lamento, mas você não é nenhum líder religioso que é obrigado a amar a humanidade e, se fosse, isso excluiria o contato sexual. Traição não é oportunidade, nem escolha, é caráter “Caráter é uma linha reta, não faz curvas”. E se você gosta de andar em círculos, ande sozinho. Faça um exercício: toda vez que sentir vontade de trair, lave uma privada, pra você lembrar que toda traição termina assim: em merda. E no amor não basta apenas dar a descarga! A questão não é ter tudo, é escolher alguém e fazer dar certo. E se você não está disposto a ficar com uma pessoa só, sinto muito te informar, mas o seu destino é morrer sozinho.
